Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

http://jazzística.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

http://jazzística.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

# Do Conhecimento de saldo ( feat. Michael Nyman)

22.01.14 | marina malheiro

 

 

 

                                                         via Vintage Library Card Catalogs/ West Melbourne Public Library 

 

                                                          Desde que a Web.2 começou a invadir as nossas vidas deixámos de procurar tanto as bibliotecas, de sentir os livros procurados como nossos naquele momento ou os jornais antigos ou revistas como despojos essenciais à nossa cultura, à nossa história, à nossa existência.

Passou tudo a estar ao alcance de uma mão cheia através do telemóvel ou do tablet. Se, por um lado, os grandes arquivos mundiais passaram a ser permanentemente digitalizados e revistos como é o caso do Projeto Gutemberg, por outro lado, o conhecimento passou a estar a saldo, fragmentado em milhares de páginas na Internet, acessível sim, mas a saldo.

Excessivamente acessível por meio de conteúdos diversos, organizados para atingir determinados públicos-alvo.

A acessibilidade não significa necessariamente qualidade e reflexão sobre o que é lido, sobre o que é dado a ver, a " consumir digitalmente" na voracidade dos dias.

O mesmo se aplica à fotografia.

Susan Sontag em Ensaios sobre a Fotografia (Quetzal) escreveu "A necessidade de comprovar a realidade e de engrandecer a experiência através das fotografias é uma forma de consumismo estético a que nos entregamos. (...) Não seria errado falar de pessoas com uma compulsão para fotografar, transformando a própria experiência numa forma de visão."

Mas se ,neste momento, há compulsão para fotografar tudo, em claro excesso, há também uma compulsão para a excessiva partilha digital, no momento, ao minuto, ao centésimo de segundo, da vida pública e privada. 

A fotografia, é ,nesta perspetiva, um conhecimento de saldo, a saldo, para ser consumida e não para ser apenas fruída, como uma boa photomaton ou uma revelação à antiga em câmara escura.

Às vezes mais vale apenas, uma, uma fotografia única, mas reveladora de tudo aquilo que é verdadeiramente importante no momento.

 

 

 

@marinamalheiro