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http://jazzística.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

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# 823- Um ofício que fosse de intensidade e calma e de um fulgor feliz

31.12.12 | marina malheiro

Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma

Um ofício que fosse de intensidade e calma 
e de um fulgor feliz E que durasse 
com a densidade ardente e contemporâneo 
de quem está no elemento aceso e é a estatura 
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo 
o fervor de ser a metamorfose da matéria 
que já não se separa da incessante busca 
que se identifica com a concavidade originária 
que nos faz andar e estar de pé 
expostos sempre à única face do mundo 
Que a palavra fosse sempre   a travessia 
de um espaço em que ela própria fosse aérea 
do outro lado de nós e do outro lado de cá 
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser 
e já sem distância e não-distância nada a separasse 
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios 

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"



Pergunta esta escrevente se em 2013 terá capacidade de continuar a escutar sons, ler textos, gostar das pessoas, com o mesmo "fulgor feliz" de todos os anos.


Desejo a todos os que fazem parte da estatística que grassa esta jangada de pedra um ofício "de intensidade e calma e de um fulgor feliz".


 

                                                                          Tame Impala, Apocalypse Dreams, 2012

 

 


@marinamalheiro