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http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

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# O Alentejo em Lisboa( feat. António Zambujo e Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento

17.07.20 | marina malheiro

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Foto Artur Pastor

Lisboa, julho de 2020, tempo de pandemia.

Hoje , num dia de um calor de "ananases" na cidade de Ulisses, deparo-me com um velhote deitado num banco de jardim debaixo de uma árvore. Quase 40 graus à sombra e o velhote estava de fato domingueiro e chapéu à anos 40 na cabeça.

Pensei que o Alentejo tinha invadido a cidade: uma cidade que acolheu minhotos, beirões, transmontanos e alguns alentejanos ao longo dos tempos...

Meia hora depois passei novamente pelo lugar, e ,temerosa com as notícias sobre os velhotes e o Covid -19, dei o meu melhor grito versão "minhota" : "está tudo bem consigo, precisa de ajuda?"

Em segundos o braço esticado em direção ao chão ergueu-se e os olhos abriram-se azuis e vivos, respondendo : " está tudo bem, obrigada."

Os alentejanos têm uma resistência secular, pensei.

@mmalheiro

(Fui colher uma romã/Dá-me uma gotinha de água)- todos os direitos reservados a António Zambujo

 

Lisboa em modo pandemia ( feat. Carlos Ramos)

10.07.20 | marina malheiro

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Via Pinterest

Lisboa, julho de 2020

Na avenida moderna que vai em direção ao Tejo há gente em corropio. Não é tempo de santos populares, de festas ou de algumas alegrias. Já não se vêem os sorrisos tapados pelas máscaras de vários tipos. Há mascarados por todo o lado, já que ali perto há um hospital. O boletim da DGS anunciou que 13 pessoas perderam a vida em virtude do Covid-19. Muitas pessoas num só dia. Seria muito já , mesmo que fosse apenas uma pessoa de alguém.

Neste mesmo dia, sei da tristeza de uma colega cuja mãe foi transferida, sem ver os filhos, para a terra das tijeladas de Rio de Moinhos ,pois não há camas suficientes nos "covidários" de Lisboa e de outra cuja mãe foi morrendo pelas saudades da filha, deixada de ver e abraçar desde 13 de março, sucumbindo em dia da pátria.

Na avenida moderna que vai em direção ao Tejo o estacionamento está apinhado. Ninguém usa o elevador que escalda do sol , sem ar condicionado e sem desinfeção. Descem e sobem as escadas, frenéticos.

No meio do magote de gente lembro-me da última ida a este hospital levando-te lá por um problema de vertigens . Os abraços agora são apenas em sonhos.

[ Quadras soltas, Carlos Ramos, all rights reserved to Carlos Ramos]

ao meu pai, com saudades.

@mmalheiro

@mmalheiro