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http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

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Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

# Uma cidade nua em tempos de quarentena

29.03.20 | marina malheiro

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Foto Artur Pastor, Rossio, Lisboa

é assim com este bulício que recordo a cidade, mesmo há 3 semanas atrás. hoje é uma cidade nua, despida de gente. sobram aqueles que a sociedade coloca de parte e que dormem em bancos de jardim, à porta de Bancos, à porta de lojas. infelizmente muitos irão parar a camas de hospital à ala de isolamento deste Covid-19.

à porta de um grande hipermercado há uma fila de pessoas - estão tal como é aconselhado, distantes umas das outras, de luvas, máscaras na cara. há tensão no ar num dia bonito de Primavera a caminho da Páscoa.

a segurança manda-nos entrar. lá dentro há quem atue normalmente como dantes , antes da quarentena obrigatória, antes do estado de emergência, mas muitas pessoas mostram-se tensas, páram para deixar os outros passar e guardam sempre distância.

opto por ir para uma caixa-expresso, sem ninguém. a operadora sentada numa cadeira , protegida por um acrílico e de luvas, diz-me que as pessoas de idade vêm quase todos os dias ali, muitas vezes para nada comprar, talvez à procura do Tudo que desapareceu abruptamente.

uma pedinte de luvas e máscara pede-me dinheiro, acedo mas digo-lhe que o deve desinfetar. diz-me a chorar que várias pessoas lhe gritaram e disseram para se afastar porque podia estar infetada.

coloco uma máscara para visitar as avós e o avô da família. hoje é dia deles. o jornal, uns pastéis de nata, moscatel e whatsapp são momentos de pequena felicidade neste caos.

de regresso a casa, um corredor resolve correr pela álvares cabral abaixo como se fosse a meia-maratona. arrisca-se pelo que me contaram a levar com um ovo na testa. foi corajoso e livre.

tempos estranhos, estes. oxalá calor, ciência e técnica, ajudem a desfazer o nó deste filme de ficção científica que é a nossa vida atualmente.

esta é para o atleta da álvares cabral ( que saudades de uma corrida!)

correu por todos nós que estamos em casa. 

à Eva, ao José Carlos e à Lourdes

@mmalheiro

 

# Aos queridos velhos do meu país (feat. Simon and Garfunkel)

28.03.20 | marina malheiro

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[ ouço os relatos preocupantes de presidentes da câmara, provedores , diretores de lares, sobre casos de idosos infetados com este maldito covid19. ainda há pouco um provedor falava na televisão sobre a necessidade urgente de levar 47 queridos velhos para o hospital. estão todos infetados. minutos depois recebo um alerta sobre o Lar dos Inválidos do Comércio em Lisboa. esta testagem  nos lares terá de ser realmente muito rápida e, como dizia alguém da minha família- todos eles contribuiram para o país que temos hoje, não podem e não devem ser descartáveis.]

escute aqui os ainda jovens Simon and Garfunkel ( all rights reserved to Simon and Garfunkel) 

@mmalheiro

 

# Da maior prova de resistência de todas (feat. Pearl Jam)

26.03.20 | marina malheiro

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agora tenho a sensação que todos os dias são domingo. há um silêncio tremendo em virtude do estado de emergência, do confinamento necessário para o achatamento da curva de crescimento do Covid19. por isso, quando saio para dar assistência à matriarca da família , baixo o vidro do carro e ligo a música do rádio, coloco-a alta. são os meus 15 minutos de liberdade do confinamento. "A tendência social para a desobediência faz parte da educação de domesticação do passado e da insuficiente liberdade que nos foi dada.", diz Coimbra de Matos, numa entrevista ontem. Obviamente que tenho a noção que não vou ultrapassar limites que conduzam a uma detenção.

nada vai ser como dantes . num artigo de hoje do jornal "Público" , a matemática Gabriela Gomes explica de forma pragmática e séria- “Será imprudente interrompermos o isolamento de forma abrupta.” As nossas vidas não vão (nem devem) voltar ao normal de um dia para o outro."

Espero que este tempo em que estamos mais resguardados se encontrem soluções para a segunda onda deste vírus horrível., para que nos possamos todos abraçar e beijar uns aos outros, sem medo, livremente.

@mmalheiro

# da esperança no meio do caos mundial

23.03.20 | marina malheiro

não sabemos o que pensar depois de lermos que há tantos mortos em Madrid que têm de ficar em pavilhões desportivos., que em Itália camiões militares transportam os que morreram deste terrível vírus, que há médicos e enfermeiros em estado limite nestes dois países.

aqui há 165 infetados que são profissionais de saúde. na maior parte dos casos, não têm material necessário que os proteja. hoje soube-se que se estiverem assintomáticos vão trabalhar à mesma. incompreensível.

esta peste do século XXI não escolhe classes sociais, sexo, idade. é infelizmente invisível, um inimigo invisível.

no meio deste caos mundial, o PM é pragmático q.b. . Não há floreados da realidade e, de facto, nós todos precisamos da verdade para nos protegermos e protegermos os nossos.

hoje uma aluna perguntava-me - quando é que saímos daqui, quando regresso à escola? nem sei que dia é hoje.

no meio deste caos tem de haver uma réstia de esperança ( Simon and Garfunkel, Live at Central Park,1981)- aos meus pais ( este disco rodou vezes sem conta lá em casa).

a todos os profissionais de saúde

aos meus alunos

@mmalheiro

 

#damúsicaquegosto#quarentena -feat. Rino Gaetano

21.03.20 | marina malheiro

o confinamento de um estado de emergência leva, por um lado, a quem está em regime de teletrabalho a um cansaço mental por estar sempre contactável e sempre online - por favor pare-se lá com os grupos de whatsapp e histórias ridículas sobre o covid19 a crianças de creche!- e, por outro lado, quem tem filhos ganha tempo precioso com eles numa situação totalmente inesperada e difícil.

alguém dizia na televisão - agora telefona-se a quem gostamos - amigos e família- com tempo para falar. claramente há uma ansiedade generalizada por parte dos nossos, pelo facto dos nossos movimentos estarem limitados em virtude de uma pandemia estranha e de filme de ficção científica.

não festejamos aniversários normalmente e aparentemente a Páscoa das famílias far-se-á em casas separadas, com recurso a uma chamada vídeo como se estivessemos todos emigrados.

sabemos aqui e ali que os mais velhos estão a ter mais dificuldades em acatar o confinamento, talvez por terem passado por uma crise económica no pós-guerra, uma ditadura, um Prec, crises económicas e uma guerra colonial. aliás, hoje alguém me dizia que um homem que se encontra neste grupo de risco, tinha dito que este vírus não era nada para quem tinha combatido na guerra.

um inimigo invísivel , suspenso no ar durante horas, permanente em superfícies lisas e metálicas, que se moveu desde a China até nós., o Covid19.

espero ansiosamente que , quem está na corrida pela vacina e pelo medicamento , para além do medicamento para a malária, tenha sucesso em breve, para que possamos todos caminhar por aí livremente e abraçar sem medo os nossos.

escute aqui  ( all rights reserved to Rino Gaetano)

"Ma il cielo è sempre piu blue"- aos italianos

ao pessoal de saúde 

aos virologistas, investigadores, bioinformáticos 

ao ZT

@mmalheiro

 

 

# Dias de emergência ( feat. Them)

18.03.20 | marina malheiro

Lisboa, hoje, 18 de março de 2020,século XXI.

as ruas estão desertas. os carros todos estacionados. um dia espetacular de sol e calor.

perfilados lá estavam eles, de máscara branca ou verde, junto à farmácia. numa rua ou noutra que percorro de carro há pessoas de máscara e de passo lento, como se estivessem a digerir este filme que está nas nossas vidas, desde há quase uma semana.

no minimercado do indiano alguém lhe pergunta se tem café em inglês. à janela, um casal jovem discute porque têm pouca rede de telemóvel em casa e dizem bem alto que têm medo que a Internet vá abaixo com toda a gente em casa.

encontro vizinhos com crianças que estão visivelmente alteradas com esta mudança nas suas rotinas. dizem-me para ir com o meu filho mais novo para um zona perto da praia que não tem ninguém porque precisa de sol e de ar.

15h30 mais ou menos. Fala o PM na televisão. Estado de Emergência. 

Vejo a votação na AR, às 20h o PR confirma. 

Para nosso bem ficamos confinados. Podemos sair para correr sozinhos, para ir ao super , à farmácia, pôr gasolina. Para nosso bem e dos outros ficamos confinados para não se ter de escolher entre os que vivem e os que morrem, como em Itália, em claro cenário de guerra. 

Uns estão em casa em teletrabalho, outros ao serviço com restrições, uns em trabalho de casa e de filhos, outros vão para casa já despedidos antes da grave crise económica que assolará o país e a Europa.

Toda esta paragem forçada remete para algo positivo: o civismo, a união, a solidariedade, a noção de família e de amizade, a ligação entre as pessoas por fios invisíveis.

No meio de tudo isto conduzir com o vidro aberto num dia de calor, livremente, e abraçar os meus, só em absoluta emergência. É isto que custa mais. Oxalá voltemos a um estado de normalidade em breve.

@mmalheiro

aos italianos

( Friday's child, Them, 

all rights reserved)

 

 

# Da equação de um país ( feat. Vampire Weekend)

15.03.20 | marina malheiro

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Descobri por mero acaso uma equação. Espero que este Covid19 tenha uma rotação ascendente q.b. provocando poucos estragos nas nossas vidas, na nossa saúde , na nossa economia, no nosso bem estar enquanto seres sociais. 

A todos como eu que estão em casa em teletrabalho. Aos meus que estarão em serviço.

Ouça esta terapia cognitiva ( all rights reserved to Vampire Weekend).

aos meus irmãos 

@mmalheiro

 

# Palmas para os italianos e para os profissionais de saúde

14.03.20 | marina malheiro

em poucos dias a terminologia de um vírus passou a fazer parte do meu quotidiano: "validação, suspeita, covid19, isolamento voluntário, isolamento profilático, quarentena, infeção, sns24, negativo, positivo, isolamento social". Falta o "secundário, terciário". Felizmente tudo negativo.

esta situação de saúde pública apocalíptica obriga à limitação social , ao tal isolamento. cheguei à conclusão que isto é difícil, muito difícil, mas necessário, sobretudo para proteger os mais velhos da família e os mais novos. tem de ser o #staythefuckinghome#. Mesmo que nos apeteça muito um café bem tirado, com ou sem princípio.

hoje as minhas palmas são para os italianos que admiro desde sempre pela sua vivacidade, pela sua alegria e são também para todos os profissionais de saúde portugueses e estrangeiros.

para os das varandas, em Itália e Portugal- Amália cantando La Tramontana ( a bisar neste Blog)- em resistência contra o Covid19.

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Foto in SicMulher ( direitos reservados a SIC)

@mmalheiro

 

 

 

# Dias apocalípticos

-músicas para o isolamento profilático

13.03.20 | marina malheiro

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Vivemos desde 4ª feira, dia em que a OMS declarou a pandemia, e ontem em estado de alerta em Portugal, dias apocalípticos que ninguém pensava alguma vez assistir. Lembra um filme científico , baseado num livro de Aldous Huxley.

Remete-nos para a nossa fragilidade enquanto seres humanos , pois estamos sujeitos à imprevisíbilidade de um vírus que ataca proteínas das células humanas rapidamente, disseminando-se por todo o mundo.

Uma notícia de hoje assinalava que bioinformáticos tinham descoberto o genoma do vírus que atacou os primeiros pacientes portugueses. Nos EUA uma conhecida farmacêutica afirma ter já um teste mais rápido do que o atual. Na Coreia do Sul a diminuição de casos passou sobretudo pela testagem frequente da população e pela quarentena. Em Macau encerraram tudo durante 15 dias, cumprindo estipulosamente as diretrizes governamentais.

Deixo aqui músicas para quem está em isolamento profilático voluntário ou em quarentena. É preciso ter muita calma e paciência nestes dias incertos.

Ludovico Einaudi

Beach House

Cocteau Twins

Madness

Orkestra Obsolete

Iggy Pop

Lena d'água e Rock n Roll Station

Muse

e o magnífico Damien Rice

( all rights reserved to all artists)

@mmalheiro

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