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http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

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# Da pausa na sociedade do espetáculo

19.02.18 | marina malheiro

Vivemos numa sociedade de mediatismo descartável. Tudo é descartável : corpo, emoções, filosofias de vida.

Cada vez mais se vive do aplauso, do efeito que se provoca nos outros, como se houvesse uma absoluta necessidade de aprovação alheia.

Às vezes o pano do palco é preto e não há aplausos . É irreversível a circunstância. A dor será perene , talvez atenuada pelo caminhar do tempo, não sei.

O Jazzística faz uma pausa indeterminada. Obrigada aos que seguem as palavras e a música. 

Até um dia de mais música .

@mmalheiro

 

 

# D'O ano do pensamento mágico- Joan Didion & Lissie

11.02.18 | marina malheiro

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aurora borealis, Lofoten, Norway | by Dustin Wong in Pinterest

A magnífica Joan Didion colocou as palavras certas, pelo menos para mim, sobre todo o processo da perda de um ente querido, muito querido, no seu O ano do pensamento mágico ( 2006).

Há dias li uma notícia sobre um pai que perdeu um filho e passou a escrever para "desafogar" a dor, uma dor sempre perene, essa. Considerei esse ato , o da escrita, de uma extrema coragem.

É essa coragem tocante que Didion nos transmite em O ano do pensamento mágico  ( 2006), 1ª edição portuguesa , dezembro 2017 , Editora Cultura :

" (...) Ainda não estava preparada para lidar com os fatos e as camisas e os casacos, mas pensei que podia tratar do que restava dos sapatos. Era um começo. Parei à entrada do escritório . Não conseguia dar o resto dos sapatos. Fiquei ali um momento, depois percebi porquê : ele precisaria de sapatos, caso regressasse." (p.33)

The ship song ( all rights reserved to Nick Cave / Lissie)

@mmalheiro

1821- Dos fios do tempo ( feat. Carlos do Carmo)

05.02.18 | marina malheiro

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in BicLaranja.blogs.sapo.pt

se pudesse congelar o tempo trazia-te de volta, de volta ao "até amanhã, filha", de volta ao contentamento com o neto mais novo ao colo e a dizeres piadas ao M. se pudesse congelar o tempo trazia-te de volta, pai.

@mmalheiro

Música- Carlos do Carmo, Um homem na cidade ( 1977)- todos os direitos reservados a Carlos do Carmo

 

 

" (...) há uma casa aberta no Sul até nascer a alba" (Borges) & George Harrison / Ravi Shankar

03.02.18 | marina malheiro

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via Pinterest

de Borges as palavras certas :

"No falecimento de alguém

- mistério cujo vacante nome possuo e cuja realidade 

não abarcamos-

há uma casa aberta no Sul até nascer a alba,

uma ignorada casa que não estou destinado a rever , 

mas que me espera esta noite,

velada luz nas mais altas horas do sono,

diferente e extenuada por más noites,

minuciosa de realidade. (...)

"A noite em que o velaram no sul", Jorge Luís Borges

@mmalheiro