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http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

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# Qual é a tua, ó meu? ( feat. José Mário Branco)

24.10.17 | marina malheiro

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Foto via Pinterest

Durante o último fim de semana foi notícia este acórdão surreal , em pleno século XXI, no ano da graça de 2017.

Na página 8  encontra os factos provados, em particular as circunstâncias em que a assistente foi brutalmente agredida, resultando em " lesões estas que determinaram 20 dias para a consolidação médico-legal, com afetação

de 10 (dez) dias da capacidade de trabalho profissional e com afetação de 1 (um) dia da capacidade de trabalho geral.
15). 
 
Teremos nós voltado ao tempo inquisitorial ? Se o leitor fizer uma pesquisa avançada , utilizando a palavra "adultério" no Arquivo Digital da Torre do Tombo, encontrará pelo menos 28 processos relativos a homens e mulheres que cometeram adultério em 1636, em 1502, 1541, 1453, por exemplo.
 
 
Num país em que diariamente as mulheres são vítimas de violência doméstica por parte dos seus maridos ou companheiros e estes são na maioria dos casos libertados com pena suspensa, perseguindo novamente as suas vítimas e cometendo homicídio, é inacreditável que tal acórdão possa existir. Simplesmente existir.
 
 
@mmalheiro
 
música de José Mário Branco, "magister nostrum" ( todos os direitos reservados a José Mário Branco)
 
 
 
 

# Da verbalização da dor

21.10.17 | marina malheiro

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Hiroshi Matsumoto ( all rights reserved)

sempre me fez extrema impressão aqueles que não verbalizam a dor, a sua , ou como dizia Pessoa, a que "leem nos outros". essa frieza incalculável diante da morte, da doença e das agruras dos outros nunca me pareceu normal.

numa "era do vazio" como a que vivemos quando um político está de tal forma "esmagado" pela tragédia que ocorreu no país, denominada por alguns como uma "autêntica guerra " de sul para norte, revelando um país incapaz de lutar contra alterações climáticas, mão humana incendiária e ausência de comunicações, e não verbaliza de forma histeriónica, apercebemo-nos que o sillêncio também é importante.

 isto por oposição a outro político, claramente vencedor das "massas" e que abraça todos, incansavelmente.

onde fica, então, o meio-termo entre a ausência da verbalização e o excesso da mesma?

talvez no estar, em silêncio, nos momentos-chave: um abraço tem mil palavras dentro.

 

a todos as vítimas dos incêndios de 15 de outubro

aos familiares das vítimas 

a todos os que ficaram despojados dos seus bens e do seu trabalho

a Tábua, terra da minha avó

@mmalheiro

# Uma casa é uma vida

16.10.17 | marina malheiro

Não há, de facto, palavras para descrever a tragédia do fogo ; dos mais de 500 fogos ao mesmo tempo, que lavraram ontem e lavram ainda, em Portugal , com perda de vidas humanas.

 

Soube hoje que a casa  que o meu avô paterno ergueu com amor e dedicação de anos de trabalho em Lisboa ,para onde foi viver com os filhos e a minha avó, ardeu toda. Ardeu, apesar do terreno ter sido limpo no verão.

 

Alterações climáticas, furacões, pirómanos, falta de fiscalização, falta de prevenção - poderão ser tantas as causas- mas na prática que ações coordenadas no terreno foram tomadas?

 

Se as casas são o corpo de quem lá habita , esta casa era o meu avô.

Partiu fisicamente há cerca de  30 anos mas aquele edifício numa pequena aldeia da Pampilhosa da Serra, representava-o plenamente. 

Se há árvores que são pessoas, há casas que são memória.

 

ao meu avô António Maria Carreiras, in memoriam

aos pampilhosenses

@mmalheiro

 

# Da descartabilidade e solidão na velhice ( feat. Prince)

07.10.17 | marina malheiro

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via Pinterest

Vivemos numa era que alguns teóricos apelidaram de vazio. Na verdade, talvez seja a era da descartabilidade. Tudo serve para usar e deitar fora-  emoções, pensamento, informação, pessoas - como se isso fosse um imperativo categórico. É preocupante que assim seja. Para onde caminha a vida dos nossos e daqueles que hão-de vir ?

Tornou-se notícia habitual dos jornais o abandono e mau trato de idosos por parte não só de desconhecidos que irrompem pelas suas casas adentro para os roubarem e violentarem brutalmente, mas também por parte dos próprios familiares que os depositam em lares ou que, pura e simplesmente, os deixam entregues a si próprios, em solidão permanente. 

Descartáveis, os velhos ou os idosos ( palavra institucional) na sociedade atual. Estranho este conceito. 

Quando nos toca a nós, em particular, aprendemos que, de facto, deixamos de ser filhos para sermos pais dos nossos, cuidando deles o melhor que podemos, havendo, no entanto, a clara noção da impotência perante as doenças que lhes vão sugando a energia e o ânimo. Amor, carinho, atenção, apoio não são palavras vãs e sem lastro nesta dimensão. Não podem nem devem ser.

Os que optam pela via da descartabilidade vão aperceber-se ( tarde) que chegaram ( também) ao fim da linha absolutamente sós.

Votos para que o trinado dos nossos se perpetue . ( all rights reserved to Prince)

@mmalheiro

aos meus pais.

 

 

# Blue monday- cover by Orkestra Obsolete

05.10.17 | marina malheiro

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 all rights reserved to hiroshi matsumoto - available on Etsy

 Escute aqui a incrível versão de Blue Monday dos New Order pelos Orkestra Obsolete ( usando instrumentos dos anos 30) ,cortesia da BBC Arts ( all rights reserved to Orkestra Obsolete and BBC Arts).

Em dia mundial do professor estamos sempre a aprender.

@mmalheiro