Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

Mas que trabalhêra...

08.02.12 | marina malheiro

Dois alentejanos assaltaram um banco,

fugiram de carro e, quando se julgaram a salvo, pararam numa estrada secundária a descansar.

 

Diz um:

- Atão, aproveitamos para contar o dinhêro?

 

Responde o outro:
- 'Nan vale a pena essa trabalhêra, logo no Telejornal dizem quanto é!

 

 

Beijos e Xis

 

@mariacosta@

 

 

 

 

# As mulheres na música de Chico Buarque

04.02.12 | marina malheiro

 

Há dias em que nos lançamos em novas aventuras de escrita. Começou hoje essa aventura na revista Obvious , no espaço Lounge.

 

Partilho aqui o artigo inicial sobre as mulheres nas canções de Chico Buarque.

 

As mulheres na música de Chico Buarque

Chico Buarque canta para as mulheres e coloca-se no seu lugar, como se sentisse o que elas sentem. Em várias canções ao longo da sua carreira, Chico canta a mulher brasileira, a mulher frágil, que canta de um “gesto manso que é só seu” e que “ a deixa louca”. Mulher-menina, cujo corpo é “ testemunho do bem que me faz”,  “ (…)como fosse a sua casa”.

 

Chico Buarque escreveu com açúcar e com afeto para as mulheres. Uma das canções que tem este nome foi escrita para Nara Leão e nela “ diz que vai mudar de vida/pra agradar meu coração” e a mulher perdoa-lhe e volta para os seus braços.

Com “Olhos nos olhos” Chico escreve sobre a separação dos amantes “ me disse para ser feliz e passar bem”. A mulher sofre mas não o demonstra “ ao sentir que eu passo bem demais”. O tempo passa e “quantos homens me amaram bem melhor que você”. Aqui Chico escreve sobre o fim de uma paixão, sobre o avançar do tempo mas que não leva ao esquecimento “ você sabe que a casa é sempre sua”.

Em “Teresinha” escreve sobre três amantes, o primeiro “ assustada, disse não”, o segundo “ cheirou minha comida” e “arranhou meu coração”, o terceiro chegou como “ quem chega do nada” , “ se deitou na minha cama / e me chamou de mulher”.

Em “Atrás da porta” escreve Chico “sem carinho, sem coberta/ no tapete atrás da porta”, sobre um amor sofrido “ com um olhar de adeus”.

N’o “ Folhetim” escreve um fado brasileiro sobre o amor  breve “ és página virada/ descartada do meu folhetim”. Aqui é uma mulher que só “ diz sim /por uma noitada boa”.

Em “Anos Dourados” , canção escrita a meias com Tom Jobim para a minisérie com o mesmo nome, recorda uma época de bolero em que o amor era difícil “ teus beijos nunca mais”.

Na “Ópera do malandro” escreve “ Palavra de Mulher” em que assume que vai voltar “ pode ser que a nossa história seja uma quimera/ como qualquer Primavera” e também “ O Meu amor” em que a mulher “ fica com a pele toda arrepiada”, que rouba os seus sentidos, sendo  o corpo  testemunha do bem que ele lhe faz. Talvez esta canção seja sobre a felicidade, sobre o encontro feliz dos amantes.

No seu último disco, editado em 2011, Chico Buarque escreve para “Essa pequena” , mulher que não cessa de contemplar, mas que “sente que vai penar” por ela.

Finalmente, a belíssima valsa “Nina” é sobre uma mulher nova mas já velha pois sofreu muito, que anseia por conhecê-lo em breve e “levá-lo para Moscovo”.

Chico canta a mulher sempre , mesmo em “Construção”, em “João e Maria”, em “Tatuagem”, e tantas outras canções, pois o Amor, o encontro/desencontro dos amantes, a alegria/tristeza das mulheres fazem parte do quotidiano, da roda viva do poeta/cantor.

 

Dançamos com todas as músicas de Chico Buarque como se fôssemos todas “As mulheres de Atenas” que “vivem para os seus maridos (…) quando fustigadas não choram(…)sofrem para os seus maridos(…) / despem-se para os seus maridos(…) se conformam e se recolhem(…)secam pelos seus maridos/orgulho e raça de Atenas” e, ao mesmo tempo, somos emancipadas e independentes em “Essa moça tá diferente” que está “ decidida a supermodernizar(…)ela me olha de cima(…) ela só me guarda desdém/ do fundo ainda me quer bem”.

 

 

Chico Buarque, Mulheres de Atenas (1976)
 
 
a todas as mulheres, a Chico Buarque
 
às mulheres da minha família, a E.M.Dores in memoriam
 

 

 

Marina Malheiro

# Telephone and Rubber Band

02.02.12 | marina malheiro
The Penguin Caffe Orchestra, Telephone and Rubber Band
 
em movimento
a economia dos abraços
em movimento
a economia da fala
em movimento
a economia do amor
em movimento
a economia dos pensamentos
deve e haver
na matéria coletável da existência
em movimento
os teus braços, pernas
em movimento
tu , inteiro
as tuas palavras
meias
nada inteiras
guardando verdades
 
em movimento
és
autómato na construção desenfreada da vidinha
quando termina a Economia?
 
@marinamalheiro
 
 
 

 

# O Homem voltou

01.02.12 | marina malheiro
O Homem Voltou, Zeca Afonso ( todos os direitos reservados a J.Afonso), Coro dos Tribunais, 1974
no dia em que se ouviu e leu sobre a Justiça em Portugal, sobre os avisos do Presidente do Tribunal Constitucional  sobre o corte dos direitos adquiridos dos portugueses e as consequências de tais medidas ( ler aqui e pensar...) a nível social...
em dias de tempo frio, de greves dos transportes, de cortes de rating, de falências, sem luz ao fundo do túnel...
para onde caminhas, Portugal?
@marinamalheiro

Pág. 3/3