Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

http://jazzistica.blogs.sapo.pt

Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia

Migalhas

29.04.10 | marina malheiro

* Foto minha (Marina Malheiro), 2010

 

Migalhas

Nas mãos

 

Um euro

Por favor

 

Não estendes a mão ao próximo

Fechada fica

As lágrimas escorrem  dentro de ti

 

Kilómetros tens de palmear até ao aprendizado

Sob o sol que te queima as têmporas

Pesa-te a tristeza nos ombros

Fortes mas decadentes

 

Aprender é mais forte

E à míngua do pão

Sossobras

Vagueando pela casa

Praguejando contra a injustiça

Das regras que alguém criou

 

Migalhas. Letras com pão

Por favor

Aprender é preciso

E mesmo a existência minguante,

Ardendo em fome,

Almeja comer vorazmente,

Sem medo,

As palavras

Novas, cintilantes

Poesia pura da tua realidade gritante.

MM20100429

 

 

 

Túnel

28.04.10 | marina malheiro

Rectângulo de muitos metros

De betão e asfalto

Vidas cruzadas ao minuto

Ao segundo

No movimento único

Dos carros

Todos os dias

 

 

        Estupidificação

   Repetida

 

Lá fora

A tua luz

Os teus olhos

Kilómetros de distância

Anos-Luz

 

 

Pensamento que se agarra na endurance

Da condução

Em velocidade

 

À esquerda ou à direita

dos caminhos

ruma a alma

ao destino

sem serendipicidade

escolha imperfeita

 

sem acaso

seguindo a lógica

dos sinais

obrigatórios

 

 

Rectângulo de muitos metros

De betão e asfalto

Vidas cruzadas ao minuto

Ao segundo

No movimento único

Dos carros

Todos os dias

 

Outra marcha na estupidificação dos dias

a noite embala-te e a luz tão magnífica e mãe

é tua

por agora

   na curva dos segundos. 

MM20100427

                                                             

 

Caos calmo

19.04.10 | marina malheiro

 

Silêncio

 

sentindo o Nada

 

Silêncio

 

sentindo o coração

 

aos pulos, aos pulos

 

 

Normal

 

o Caos

 

cá dentro

 

 

Normal

 

a tranquilidade

 

nas vísceras

 

Mãos soltas

para o teu mundo

inocente

puro

 

 

Lisa a normalidade

 

rotina perfeita

dos caminhos

 

 

Normal

o Caos

lá fora

nos gritos

nos choros

abraços comedidos

teus

 

Salero cá dentro

permanente agitação

alegria

ritmo

Amarcord diário

 

Em tango deslizam as emoções

Mardel e sus muchachos

Caos calmo

cá dentro

lisa normalidade.

 

MM19042010

 

 

 

 

Vidraças

17.04.10 | marina malheiro

Vidraças frente ao Jardim que exala cultura

 

Vidraças transpirando música

 

jazzística

 

clássica

 

popular

 

 

Olhos postos nas vidraças

corpos ritmados

acompanham a melodia

dos dedos que dançam no piano

do sopro único

do trompete

do sax

do contrabaixo

 

 

Olhos postos nas vidraças

vida lá fora

vida lá dentro

minutos correm por ali fora

lavas a alma

ao fim da tarde

do dia que correu frenético

 

Olhos postos nas vidraças

agarras Manhattan

ao som de Gershwin

vives no Bas.fond

permanente Cotton Club

 

 

Olhos postos nas vidraças

desenhas variantes em si-bemol

de vidas

tantas

em escala Maior

 

 

Olhos postos nas vidraças

chove

mas não importa

chove

e transparente, fractal

a tua alma.

 

 

 

 

MM 17042010

 

 

Pág. 1/2