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Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia
12 de Janeiro de 2018

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

Keats.

ao meu pai 

"O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente"

@mmalheiro

publicado por marina malheiro às 20:06 link do post
08 de Janeiro de 2018

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Pina Bausch

# nada nos prepara para perder os nossos entes queridos. nada. nem palavras avulso.

nada nos prepara para as noites em que a saudade nos dói no corpo e não sabemos o que fazer.

 

ao meu pai, aires carreiras

 

@mmalheiro

 

publicado por marina malheiro às 13:20 link do post
sinto-me:
02 de Janeiro de 2018

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Hans Hofmann (American, German-born; Modernism, Abstract Expressionism; 1880–1966): The Third Hand, 1947.
 
2018.
a escrita tornou-se minimalista como os dias.
congelar os momentos só é possível com a palavra escrita, filmada ou fotografada mas, talvez, baste uma palavra, um traço fino pelos dias, agora que nasceste.
é o que faz sentido. 
guardá-la cá dentro.
 
o Jazzística será durante os próximos meses um blog quase em modo " twitter".
 
Um bom ano para todos os que ( ainda) lêem este blog. ! Carpe Diem!
 
@mmalheiro
 
publicado por marina malheiro às 20:08 link do post
21 de Dezembro de 2017

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Hexi-Pass-36x36.jpg (403×405) 

Observamos a memória que envelhece daqueles que são  nossos. Lá longe , num tempo imaterial já estivemos nos braços deles. Os braços agora são os nossos.

Guardamos, contudo, ao mesmo tempo, em nós,  a feliz memória dos nascidos há quase um mês e dos que são "jovens árvores".

Sorridentes,  reconhecem esta música, adormecendo tranquilamente.

Boas Festas.!

aos meus filhos David e Manel

@mmalheiro

 

 

publicado por marina malheiro às 20:16 link do post
21 de Outubro de 2017

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Hiroshi Matsumoto ( all rights reserved)

sempre me fez extrema impressão aqueles que não verbalizam a dor, a sua , ou como dizia Pessoa, a que "leem nos outros". essa frieza incalculável diante da morte, da doença e das agruras dos outros nunca me pareceu normal.

numa "era do vazio" como a que vivemos quando um político está de tal forma "esmagado" pela tragédia que ocorreu no país, denominada por alguns como uma "autêntica guerra " de sul para norte, revelando um país incapaz de lutar contra alterações climáticas, mão humana incendiária e ausência de comunicações, e não verbaliza de forma histeriónica, apercebemo-nos que o sillêncio também é importante.

 isto por oposição a outro político, claramente vencedor das "massas" e que abraça todos, incansavelmente.

onde fica, então, o meio-termo entre a ausência da verbalização e o excesso da mesma?

talvez no estar, em silêncio, nos momentos-chave: um abraço tem mil palavras dentro.

 

a todos as vítimas dos incêndios de 15 de outubro

aos familiares das vítimas 

a todos os que ficaram despojados dos seus bens e do seu trabalho

a Tábua, terra da minha avó

@mmalheiro

publicado por marina malheiro às 12:30 link do post
16 de Outubro de 2017

Não há, de facto, palavras para descrever a tragédia do fogo ; dos mais de 500 fogos ao mesmo tempo, que lavraram ontem e lavram ainda, em Portugal , com perda de vidas humanas.

 

Soube hoje que a casa  que o meu avô paterno ergueu com amor e dedicação de anos de trabalho em Lisboa ,para onde foi viver com os filhos e a minha avó, ardeu toda. Ardeu, apesar do terreno ter sido limpo no verão.

 

Alterações climáticas, furacões, pirómanos, falta de fiscalização, falta de prevenção - poderão ser tantas as causas- mas na prática que ações coordenadas no terreno foram tomadas?

 

Se as casas são o corpo de quem lá habita , esta casa era o meu avô.

Partiu fisicamente há cerca de  30 anos mas aquele edifício numa pequena aldeia da Pampilhosa da Serra, representava-o plenamente. 

Se há árvores que são pessoas, há casas que são memória.

 

ao meu avô António Maria Carreiras, in memoriam

aos pampilhosenses

@mmalheiro

 

publicado por marina malheiro às 15:06 link do post
07 de Outubro de 2017

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via Pinterest

Vivemos numa era que alguns teóricos apelidaram de vazio. Na verdade, talvez seja a era da descartabilidade. Tudo serve para usar e deitar fora-  emoções, pensamento, informação, pessoas - como se isso fosse um imperativo categórico. É preocupante que assim seja. Para onde caminha a vida dos nossos e daqueles que hão-de vir ?

Tornou-se notícia habitual dos jornais o abandono e mau trato de idosos por parte não só de desconhecidos que irrompem pelas suas casas adentro para os roubarem e violentarem brutalmente, mas também por parte dos próprios familiares que os depositam em lares ou que, pura e simplesmente, os deixam entregues a si próprios, em solidão permanente. 

Descartáveis, os velhos ou os idosos ( palavra institucional) na sociedade atual. Estranho este conceito. 

Quando nos toca a nós, em particular, aprendemos que, de facto, deixamos de ser filhos para sermos pais dos nossos, cuidando deles o melhor que podemos, havendo, no entanto, a clara noção da impotência perante as doenças que lhes vão sugando a energia e o ânimo. Amor, carinho, atenção, apoio não são palavras vãs e sem lastro nesta dimensão. Não podem nem devem ser.

Os que optam pela via da descartabilidade vão aperceber-se ( tarde) que chegaram ( também) ao fim da linha absolutamente sós.

Votos para que o trinado dos nossos se perpetue . ( all rights reserved to Prince)

@mmalheiro

aos meus pais.

 

 

publicado por marina malheiro às 06:40 link do post
20 de Setembro de 2017

8d8b2565a187f7a6b879396467f2da4c.giftu que passas a vida em mágoas , rancores e azedumes

tu que gritas com os outros pois não sabes caminhar em pontas pela vida fora

já é tempo de te confessares em dívida de ternura e bondade para com os outros:

uma dívida sem aulas de meditação e sem revivalismos new age ,  que parte aí de dentro;

lisa, transparente e pura. ser-te-á difícil alcançá-la?

@mmalheiro

 

 

 

publicado por marina malheiro às 19:21 link do post
15 de Setembro de 2017

sem nome2.png                                             Foto via Pinterest

     [ o tempo vai embrulhando rapidamente a vida. os animais adoecem de velhice ou tristeza, as sementes medram pela terra adentro, as videiras em nós vão crescendo felizes e os que nos rodeiam são assaltados por imprevistos no seu caminho longo de vida. as uvas tintas serão colhidas lá para outubro, tempo em que o Outono será permanente nos ossos, na tristeza meio saudosa dos dias já mais curtos. a minha videira, bela e única, sairá da terra pura talvez em fins de novembro, talvez em dias de gelo, mas será certamente acalentada com muita ternura nos teus braços crescidos agora de homenzinho valente.

faremos a nossa vindima bonita, juntos, neste tempo novo, meu aviador.

ao Zé.

ao Manel.

@marinamalheiro

 

publicado por marina malheiro às 19:51 link do post
26 de Agosto de 2017

sem nome.png                                                       Bansky.

                             Basta ler hoje esta notícia no DN para se ter a noção de como há ainda erros ministeriais mais do que Cratos na atual geringonça educativa.

Não é preciso um exercício labiríntico , decadente e pedagogica e socialmente atrasado  como o dos livrinhos infantis que "pulularam " nas redes esta semana, para se compreender a gestão incompetente da vida alheia de uns funcionários sempre mal vistos, os professores.

@mmalheiro

 

 

publicado por marina malheiro às 10:21 link do post
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