http://jazzistica.blogs.sapo.pt
Blog de poesia , música e olhares de Marina Malheiro, aprendiz de poesia
10 de Abril de 2016

06b8d0ca07053309f176a0d699f50d0c.jpg

           Panel with the Chinese Character for Longevity (Shou) | China | Qing dynasty (1644–1911) | The Met

                                                      [ bisar os poemas  que nos preenchem a alma.]

                        escutando o sempre criativo e diferente Andrew Bird aqui ( 2016)- all rights reserved to Andrew Bird.

"Não desisti de habitar a arca azul
do antiquíssimo sossego do universo.
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime.
Há novecentas mil nebulosas espirais 
(...)
Aos confins tranquilos entre ilhas mar e montes
vou buscar o veludo e o ouro da nostalgia. (...) ".

António Ramos Rosa, 1975, "Três"

encontra este poema #não desisti de habitar a arca azul no arquivo do Jazzística

@mmalheiro

 

 

 

publicado por marina malheiro às 19:24 link do post
13 de Março de 2016

Vive-se quando se vive a substância intacta
em estar a ser sua ardente harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na visão intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E há um momento em que o pensamento repousa ( all rights reserved to Ben Harper)
numa sílaba de ouro É a hora leve
do verão a sua correnteza
azul Há um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas espáduas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Minúcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal

"Vive-se Quando se Vive a Substância Intacta", Ramos Rosa in Poemas Inéditos ( todos os direitos reservados a António Ramos Rosa)

@mmalheiro

 

publicado por marina malheiro às 13:48 link do post
13 de Dezembro de 2015

                      Pur, Cocteau Twins in Four- Calender Cafe ( all rights reserved to Cocteau Twins)

                      Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.

O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.

Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.

Ramos Rosa in Volante Verde (1986)

( todos os direitos reservados a Ramos Rosa)

@mmalheiro

 

publicado por marina malheiro às 21:27 link do post
17 de Setembro de 2015

4e8cf0c72c9fb7f22347a7bff0475953.jpg

                                              via Pinterest

                                        em memória de M.Fernandes, o primo que oferecia poemas aos outros, deixo um poema do Mestre Ramos Rosa.

       "O astro"

Ouve a longa incoerência da palavra e a memória

do sangue que se apaga. Ouve a terra taciturna.

Tudo é fugitivo e a sombras não acolhem. nenhum jardim

de segredos. Nenhuma pátria entre as ervas e a areia.

Onde é que nasce a sombra e a claridade?

 

Eis as vertentes da terra árida e seca. Quem

reconhece o equilíbrio das evidências serenas?

Estas palavras têm o odor de portas enterradas.

Como dominar a desmesura da ausência e a vertigem?

Como reunir o obscuro em palavras evidentes?

 

Escuta, escuta a longa incoerência da terra

e da palavra. Ao longo da distância

murmura a perfeição monótona de um mar.

Num pudor de esquecimento um astro se aveluda

em denso azul na corola do silêncio.

António Ramos Rosa

@mmalheiro

aos meus pais

                                              

                                               

publicado por marina malheiro às 23:50 link do post
16 de Fevereiro de 2015

10993398_320370468151693_1667879679854297269_n.jpg

                                     Aurora, Northern Alaska via Astro Max

                                       https://www.youtube.com/watch?v=U5a_vjHyd0s Time is dancing, Ben Howard (2014)

                                [    Não desisti de

habitar a arca azul do antiquíssimo sossego do

universo.
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime. ]

Ramos Rosa in Não desisti de habitar a arca azul

@marinamalheiro

 

publicado por marina malheiro às 20:16 link do post
25 de Setembro de 2013

 

Anéis de Saturno através da Cassini ( 15/06/2013) 

 

Todos os direitos reservados a NASA

 

 

"A noite chega com todos os seus rebanhos

(...)
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha. 
(...). 


O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se. 
(...)
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta. 
Estou perto e estou longe no coração do mundo. "

de A Rosa Esquerda(1991) - poema "cortado" do original  do Mestre  Ramos Rosa



                                                                 The Long Run - Rodrigo Leão feat. Joan As Police Woman

 

aos que amam a vida


@marinamalheiro

publicado por marina malheiro às 00:19 link do post
23 de Setembro de 2013

 

 

"Não desisti de habitar a arca azul
do antiquíssimo sossego do universo. 
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime. 
Há novecentas mil nebulosas espirais 
mas só o teu corpo é um arbusto que sangra
e tem lábios eléctricos e perfuma as paredes.
Aos confins tranquilos entre ilhas mar e montes
vou buscar o veludo e o ouro da nostalgia.
Deponho a minha cabeça frágil sobre as mãos
de uma mulher de onde a chuva jorra pelos poros.
Ó nascente clara e mais ardente do que o sangue,
sorvo o cálice do teu sexo de orquídea incandescente!
A minha vida é uma lenta pulsação
sob o grande vinho da sombra, sob o sono do sol.
Há bois lentos e profundos no meu corpo
de um outono compacto e negro como um século.
Com simultâneas estrelas nas têmporas e nas mãos
a deusa da noite, sonâmbula, desliza.
Ao rumor da folhagem e da areia
escrevo o teu odor de sangue, a tua livre arquitectura.
Prisioneiro de longínquas raízes
ergo sobre a minha ferida uma torre vertical.
Vislumbro uma luz incompreensível
sobre os campos áridos das semanas.
Elevo o canto profundo do meu corpo
sob o arco das tuas pernas deslumbrantes.
Escrevo como se escrevesse com os meus pulmões
ou como se tocasse os teus joelhos planetários
ou adormecesse languidamente no teu sexo."


António Ramos Rosa, in Três (1975)


Ao magnífico poeta , Mestre Ramos Rosa, que hoje partiu quem sabe para a "arca azul".


Muito lhe temos a agradecer, pelas palavras que transcendem tudo e são reflexos sublimes do Belo.



http://www.youtube.com/watch?v=OC1QnMly9hM


Rodrigo Leão & Vox Ensemble ( 1939)


" a minha vida é uma lenta pulsação  


sob o grande vinho da sombra"


@marinamalheiro


publicado por marina malheiro às 20:15 link do post
13 de Setembro de 2013

Sétima Legião,  excelente cover ao vivo nos anos 90 de "Cantigas do Maio " de Zeca Afonso

"Regressei ao corpo insuperável
à infância do ser, à inocência viva
Já não sou o meu nome, sou músculo suave
do fogo do universo
sou a liberdade límpida
de um rio silencioso que nasce
em cada instante do princípio do mundo(...)"

 

In Apêndice, António Ramos Rosa ( poema inédito)

 

em dias de mudança

 

@marinamalheiro

publicado por marina malheiro às 01:04 link do post
19 de Julho de 2013

 

http://www.youtube.com/watch?v=CrRVaYF-O4U

 

Velvet Underground, All tomorrows parties

 

"Para um amigo tenho sempre um relógio 
esquecido em qualquer fundo de algibeira. 
Mas esse relógio não marca o tempo inútil. 
São restos de tabaco e de ternura rápida. 
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo. 
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol."


Ramos Rosa


para ti, trovador da música 


@marinamalheiro

publicado por marina malheiro às 15:28 link do post
11 de Julho de 2013

Toto, África
Ao meu pai , A.Carreiras
(...) Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio. 
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena. 
Sou uma pequena folha na felicidade do ar. 
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis. 
É aqui, é aqui que se renova a luz. "
O Jardim, António Ramos Rosa


@marinamalheiro
publicado por marina malheiro às 21:59 link do post
Julho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Mensagens
Tracker
sitemeter
Sitemeter
Wook
Wook
Pensa num Número - www.wook.pt
Facebook
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Ainda estou em choque com tamanha tragédia!Os rela...
Melhor que a música, a companhia...
Obrigada pelo teu comentário. Para quem gosta de c...
Pois... não é por snobismo que moro onde moro,é me...
Caro ZT,obrigada pela referência. :)Saudações jazz...
Lembra Black Moth Super Rainbow.Inebriante.
Feel free to blush
Ai que ruborizo :)
Adorei caro Fio de Beque. Obrigada pela partilha. ...
Era esta :D https://youtu.be/XviMAXKvewM
blogs SAPO